Tag Archives: #javnitrg

Bem-vindos e Feliz Natal em ZiGZagrebe.

 Entre as saias do monte Sljeme e o rio Sava ao seu passo, lá está sita a cidade de Zagreb e atual capital do novo e vigésimo oitavo membro da União Europeia, Croácia. Uma cidade central, onde reside uma parte relevante do motor econômico do país. Um ponto importante de passo para as comunicações ao localizar-se entre Europa central e a península dos Bálcãs.

Rua Radić, de caminho a Gornji Grad.

Rua Radić, de caminho a Gornji Grad.

  E fiquei cá, em Zagreb, com oportunidades de trabalho á vista com a expectativa de lecionar espanhol e português á croatas e outros estrangeiros e ir amodo avançando na carreira de jornalista free-lance, amais de não descartar qualquera outra opção. Com a seguridade e felicidade de ser parte de um fogar, em companhia da dona, Biljana, e o cão Bruno. É a minha encomenda dar-vos uma visita por Zagreb com fotos e palavras. Espero que a vossa imaginação faça o resto.

   Estes dias, início de dezembro, o outono está a despedir de Zagreb, com as últimas quedas das folhas caducas, com um manto de intenso amarelo nos jardins do parque Kralj Kresimira IV. Passeio pela manhã a Bruno, um fervilho de pinscher anão castanho de nove anos com o seu maior gênio e melhor coração, com a sua jaqueta de camuflagem. Não nos queremos arrefecer. Vou bem tapado com luvas, gorro com protetores para os ouvidos, pompons incluídos, abrigo de três quartos de la, jérsei, camisola de mangas longas, e, muito importante, meias grossas, pois uns pés frios são garante de mal-estar. O inverno, obviamente, já está a bater na porta. As temperaturas descem menos de zero no lusco e fusco. Faz uns dias caíram algumas faíscas de neve e as geadas são proeminentes amanhã.

A estátua do Ban Josip Jelacic na praça homónima.

A estátua do Ban Josip Jelacic na praça homónima.

 O bafo da friagem quando os zagrebinos alentam não lhes saca o sorriso pela chegada do derradeiro mês do ano, onde o feriado de São Nicolas ocupa um destaque no calendário, já que dá começo a época do Natal com o rito de lhe entregar os meninhos bons um bonequinho feito de chocolate e os mãos um ramalho dourado para assustar ao Krampus. Animam e decoram formosas luzes azuis, brancas e vermelhas as ruas do centro próximas á praza do Ban Josip Jelačić. A estátua equestre do personagem histórico e herói nacional do século XIX preside o espaço, sustendo um sabre na sua mão na posição da vitória. Ora bem, o encanto está no lugar, á sua beira, da fonte de Manduševac, proprietária da lenda fundacional.

Não muito longe, subindo por unha pequena inclinação, topamos a catedral de Santa Maria da Assunção, de cimentos góticos, mas reformada neogótica, porquanto teve de ser reconstruída e diferentes momentos por mor de batalhas, incêndios e terremotos. Esta zona recebe o nome de Kaptol, e assim que deu em chamar o primeiro assentamento religioso na Idade Média, parelho a outro assentamento secular no outeiro contíguo, chamado Gradec, que hoje abrange a cidade alta -Gornji Grad-, onde topamos a torre de Lotršcak, resto da muralha defensiva contra das invasões otomanas, ou a sede do Governo –Vlada- e o Parlamento –Sabor- na Praça de São Marcos, onde fica a igreja com pórtico medieval, mais com um telhado pitoresco, cheio de cores, do século XIX, emblema da cidade. A união de estas duas populações não foi efetiva até o século XVII, com a denominação definitiva de Zagreb, fazendo parte do domínio do Império Austro-Húngaro.

A estátua do Ban Josip Jelacic na praça homónima.

A estátua do Ban Josip Jelacic na praça homónima.

Entrementes está o mercado central de Dolac, um azougue cheio de bancadas com produtos do agro de aroma e cor local, com grande diversidade de oferta. Um bom sítio para os amantes da boa matéria-prima na cozinha. A rente, entramos em uma das ruas mais agitadas, onde há uma maior concentração de bares, pubs, restaurantes e cafés: Rua Tkalcica. Cá podem saborear boas cervejas artesãs, a “rakija” – aguardente local de larga tradição-, ou uns deliciosos biscoitos ou filloas.

O sol voa a pé da linha do horizonte nesta altura do ano, durante todo o dia, com uma claridade fortíssima, mas aquece febre. A noite cai sobre as cinco da tarde.  De volta na praça central, os tranvias, transporte público mais usual, a par dos econômicos taxis, não param de passar. Ilica é a artéria principal pela que este singular transporte percorre até bifurcar-se em diversas direções. Nesta avenida e em ruas anexas está o centro de compras, onde as marcas de roupa são as protagonistas. Ao lado, a Praça de Cvjetni e redores oferecem um amplo espaço de recreio nas esplanadas, mesmo no inverno, equipadas com sistemas de aquecimento e cobertores.

Teatro Nacional de Croácia.

Teatro Nacional de Croácia.

 Ao descermos a Rua Gundilica chegamos a Praça do Marechal Tito, onde observamos a melhor expressão de arquitetura historicista baixo o Império Austro-Húngaro: o Teatro Nacional de Croácia -Hrvatsko Narodno kažaliste-, na que se oferece tanto teatro, como ópera e balé. Desde aqui começamos outra caminhada por um dos tesouros melhor conservados de Zagrebe, e um valor adicionado na sua qualidade de vida: a “ferradura verde”, um espaço integrado de parques verdes na urbe, no centro, datado do s. XIX e assinado pelo urbanista Milan Lenuci. A dobrarmos a esquerda, passeamos paralelos ao formoso Jardim Botânico, uma obra espetacular em um reduzido espaço, nas que coabitam espécies de lugares afastados: desde pinheiros-mansos até sequoias, desde amendoeira até nenúfares. Seguindo a Rua Mihanovic chegamos ao parque do Kralj Tomislav, de fronte ao edifício da estação ferroviária central -Glavni Kolodvor. Desde ali até quase o centro, concatenam este parque, coroado pelo Pavilhão de Arte, com outros dois: Strossmayer, onda a sede da Academia das Artes e das Ciências, e Zrinjevac, com um caixa de música e um jogo de fontes bastante notável.

Anúncios